domingo, setembro 17, 2017

Antologia necessária em língua portuguesa


Antologia do Pensamento Geopolítico e Filosófico Russo, de José Milhazes e João Domingues. 

Dr. Jaime Gama in: "Prefácio":

“Esta antologia necessária em língua portuguesa tem o mérito de nos ensinar a ver a Rússia com mais nitidez... O que é a perspectiva dos que se enfrentaram com a Rússia num seu projecto de progressivo controle territorial está abundantemente testemunhado. O que é a súmula das posições russas sobre o seu próprio projecto encontra também abundantes elementos de prova, sejam eles de natureza militar, diplomática ou histórica. Alargar essa perspectiva às dimensões culturais, literárias e religiosas, numa antologia de síntese sobre o espírito e a ambição russas é o propósito desta colectânea crítica, e bem ilustrada, a que se abalançaram José Milhazes e João Domingues.”

domingo, setembro 10, 2017

ANTOLOGIA DO PENSAMENTO GEOPOLÍTICO E FILOSÓFICO RUSSO (séc. IX - séc. XXI)


Nós, José Milhazes e João Domingues, vimos comunicar, co enorme alegria e satisfação, que a obra: ANTOLOGIA DO PENSAMENTO GEOPOLÍTICO E FILOSÓFICO RUSSO (séc. IX - séc. XXI) irá chegar às livrarias no próximo mês de Outubro. Para todos os que pretendem compreender a Rússia. Os nossos amigos são os primeiros a saber.


quinta-feira, setembro 07, 2017

Moscovo e Washington consolidam poderio da China



As relações entre a Rússia e os Estados Unidos vão de mal a pior. E já não se limita apenas ao duelo em torno do encerramento de consulados e expulsões de diplomatas por ambos os países.
Donald Trump deve ter feito algo muito mau a Vladimir Putin que o Presidente Putin já veio afirmar que o secretário de Estado norte-americano Rex Tillerson, que foi condecorado no Kremlin com a Ordem de Amizade, "anda em más companhias" e os politólogos do Kremlin falam da sua inactividade, da sua demissão para breve e até da desintegração da equipa que trabalha com o dirigente norte-americano.
Uma das causas destas declarações poderá dever-se ao facto de Trump não ter convidado Putin para a discussão da reforma da Organização das Nações Unidas. E talvez tenha sido esta uma das razões que levou Putin a não participar na próxima Assembleia Geral.
A Grã-Bretanha, o Canadá, a China, a Alemanha e o Japão estão entre os 14 países que apoiam a proposta de Trump de tornar as Nações Unidas mais maleáveis, menos pesada no que respeita à burocracia.
É estranho que Putin, dirigente de um dos países membros do Conselho de Segurança da ONU, fique de fora deste processo, pois a voz da Rússia é decisiva para reformar essa organização internacional.
Diplomatas e analistas russos consideram que este e outros passos da política externa norte-americana se devem ao facto de Washington ainda não ter compreendido que já não é o senhor absoluto do mundo.
Penso que eles têm razão quanto a isso, mas não me parece que a Rússia se esteja a transformar noutro polo. Estou mais inclinado a considerar que o novo polo será a China, apoiando-se no crescente poderio económico e militar. Moscovo (tal como os BRICS) é apenas uma das alavancas para que Pequim está a utilizar na reviravolta  que ocorre no modelo de relações internacionais, mas se os russos não puserem a sua casa em ordem, isso poderá vir a acontecer e não será preciso esperar muitos anos.

P.S. A Rússia diz aceitar a presença de tropas da ONU na fronteira entre as tropas ucranianas e os separatistas, mas o problema é que Kiev quer vê-las nas fronteiras entre a Rússia e a Ucrânia. Estão a ver a diferença? 

segunda-feira, agosto 07, 2017

Putin já está preocupado com o funeral?







Dizem que o regime político russo é um regime presidencialista tão centralizado que é difícil compreender como é que ele consegue dirigir a Rússia e ainda ter tempo para nadar, pescar e dormir.

Desta vez, o dirigente russo, reza o jornal Kommersant, decidiu pôr ordem no sector funerário, onde - e parece que não só na Rússia - tem uma forte vertente mafiosa. As autoridades russas calculam que, na economia paralela ligada aos funerais, circulam de 120 a 150 mil milhões de rublos (qualquer coisa como 18 a 20  milhões de euros)

Segundo o dito diário, o Presidente considera que não existem padrões únicos, as leis são caducas e há descoordenação na actividade dos órgãos do poder.

Actualmente, o subsídio pago pelo Estado para um funeral é de cerca de 100 euros. E as formas de ajuda na hora da despedida não são iguais em todas as regiões da Rússia. A direcção de controlo da Administração do Presidente russo constata: “na República dos Komi, nos distritos de Syktyvkar, Sosnogorsk e Ukhta, [as autoridades locais] dão um caixão de madeira sem forro de tecido, enquanto que nas regiões de Priluzki e Ust-Kulomskii dão um caixão de madeira forrado de tecido”.

Claro que iniciativas destas deviam partir do governo ou do primeiro-ministro Dmitri Medvedev, mas este é notícia cada vez mais raramente.

Isto tem uma explicação. Segundo a maioria dos analistas, Vladimir Putin voltará a ser reeleito Presidente nas próximas eleições de Março de 2018 [antecipadas para coincidirem com a data da ocupação da Crimeia pelas tropas russas], mas é preciso excluir surpresas, por isso esta "preocupação permanente" pelo povo.

Mas, por outro lado, os anos vão passando e os cidadãos da Federação da Rússia devem ver que o tempo e a intensa actividade presidencial não deixam sequer marcas na preparação física do Presidente Putin. Por isso, é necessário renovar as imagens do “macho eslavo” à pesca em tronco nu ou os mergulhos nas frias águas da Sibéria para pescar lúcios e outros peixes de pequena e média dimensão: várias câmaras de televisão e máquinas fotográficas não podiam deixar escapar este momento “histórico”.

Alguns defensores de Putin afirmam que, desse modo, o Presidente faz publicidade do turismo interno. Verdade seja dita, a imensa Rússia tem belezas para todos os gostos, mas não é esse o objectivo. Os russos optam a viajar para países exóticos porque os voos de avião e os hotéis são bem mais baratos. Por muita publicidade que se faça a favor do turismo russo para a Cimeia, são mais os que optam pela Turquia ou Montenegro. Os preços e serviços são mais apelativos.

Ninguém duvida do patriotismo dos russos, mas também ele tem limites. É por isso que muitos russos preferem descansar no estrangeiro ou ficar-se pelas suas datchas nos arredores das cidades onde vivem.